Um produto pode parecer lucrativo na prateleira e ainda gerar prejuízo no fim do mês. Isso acontece quando as 7 despesas esquecidas na precificação ficam fora da conta. Você olha o custo de compra, soma uma margem e define o preço. Só que aluguel, taxas, perdas e impostos continuam saindo do caixa, mesmo que não apareçam na etiqueta.
A boa precificação não serve apenas para chegar a um número bonito. Ela precisa pagar todos os compromissos do negócio e ainda deixar lucro. Para isso, cada despesa deve ter lugar no cálculo, seja ela fixa, variável ou eventual.
Imagine uma loja que compra uma peça por R$ 40 e vende por R$ 80. À primeira vista, sobram R$ 40. Mas, se a venda tiver R$ 8 de imposto, R$ 4 de taxa de cartão, R$ 10 para cobrir despesas fixas e R$ 3 de embalagem, o resultado já mudou completamente. Antes de considerar o lucro, restam R$ 15.
O problema não é ter despesas. Todo negócio tem. O risco está em ignorá-las e assumir que todo valor que sobra após pagar o fornecedor é ganho.
A seguir, veja os custos que mais passam despercebidos e como colocá-los na formação do preço de venda.
Venda no cartão não vale o mesmo que venda no Pix ou em dinheiro. Uma taxa de 3%, 4% ou mais reduz diretamente a receita. Se o cliente parcela e sua empresa antecipa o recebimento, o custo pode aumentar ainda mais.
Em uma venda de R$ 200, uma taxa de 4% consome R$ 8. Parece pouco isoladamente, mas em 100 vendas são R$ 800 que precisam estar previstos. O ideal é simular formas de pagamento diferentes e decidir se o preço será único, se haverá desconto no Pix ou se o custo do parcelamento será absorvido de outra maneira.
Imposto não é lucro e não pode ser calculado no improviso. A alíquota depende do enquadramento tributário, do tipo de atividade, da mercadoria ou serviço e, em alguns casos, da operação realizada.
Uma prestadora de serviços que fatura R$ 10.000 no mês e separa R$ 600 para tributos não tem R$ 10.000 livres para pagar despesas e gerar resultado. Tem R$ 9.400 antes de considerar todo o restante. Quando esse valor fica fora do preço, a empresa vende, trabalha e vê o caixa apertar.
Quem vende produtos costuma lembrar do frete pago pelo cliente. Mas e o custo de levar mercadorias até o transportador, fazer entregas locais, buscar insumos ou visitar clientes? Quem presta serviços também tem combustível, estacionamento, ônibus, aplicativo de transporte e tempo de deslocamento.
Se uma entrega custa R$ 18 e é tratada como um favor ao cliente, ela sai da margem. Pode fazer sentido oferecer frete grátis em pedidos maiores, desde que o valor mínimo seja calculado para suportar essa escolha. Frete grátis não é grátis para a empresa.
Caixa, sacola, fita, etiqueta, papel, lacre, brinde e material de proteção costumam ser esquecidos porque têm valor unitário baixo. Mas são custos diretamente ligados à venda.
Uma confeitaria pode gastar R$ 2,50 em embalagem para cada bolo. Em 300 pedidos no mês, isso representa R$ 750. Um salão pode usar luvas, toalhas descartáveis, produtos de higiene e materiais específicos em cada atendimento. Tudo o que é consumido para entregar o produto ou serviço precisa entrar na conta.
Comissão de vendedor, parceiro comercial, representante, afiliado ou indicação é uma despesa variável. Se ela só é paga quando há venda, muita gente acha que não precisa aparecer no preço. Precisa, porque reduz o valor que fica na empresa.
Suponha uma comissão de 8% sobre um serviço de R$ 500. São R$ 40 por venda. Se esse custo não foi previsto, você pode cumprir a promessa de comissão e, ao mesmo tempo, sacrificar a margem necessária para manter a operação saudável.
Nem toda venda se transforma em receita definitiva. Produtos quebram, vencem, somem, precisam ser refeitos ou voltam por troca. Serviços podem exigir retrabalho. Vendas a prazo podem atrasar ou não ser recebidas.
Não é necessário colocar o custo de uma devolução inteira em cada item. A solução é analisar o histórico. Se a empresa perde, em média, R$ 500 por mês com avarias e devoluções, esse valor deve ser considerado no orçamento de despesas e distribuído de modo coerente entre as vendas.
O mesmo vale para inadimplência. Se você vende a prazo, cobre esse risco no preço ou revise sua política de cobrança. Vender muito e receber pouco não sustenta negócio nenhum.
Aqui está uma das maiores fontes de erro. Aluguel, energia, internet, contador, salários, retirada do proprietário, sistema de gestão, telefone e manutenção não aparecem em uma nota de compra. Ainda assim, existem todos os meses, com ou sem venda.
O pró-labore merece atenção especial. Quando o dono não define uma retirada, costuma tirar dinheiro do caixa conforme a necessidade. Isso mistura finanças pessoais e empresariais e torna impossível saber se a empresa realmente dá lucro. Pró-labore é despesa do negócio e deve ser planejado.
Para incluir despesas fixas no preço, é preciso entender o ponto de equilíbrio: quanto a empresa precisa faturar para cobrir seus custos sem prejuízo. Depois, a margem de contribuição de cada produto ou serviço mostra quanto cada venda ajuda a pagar essa estrutura.
O caminho não é adicionar percentuais aleatórios. Primeiro, separe os gastos em duas categorias. Os variáveis acompanham a venda, como imposto, cartão, comissão, frete e embalagem. Os fixos acontecem mesmo sem venda, como aluguel, pró-labore e internet.
Em seguida, registre os valores reais. Use extratos, notas, contratos e relatórios dos últimos meses. Estimativas são úteis no começo, mas devem ser revisadas quando houver dados concretos. Uma empresa sazonal, por exemplo, pode precisar trabalhar com uma média mais longa para não formar preço com base em um mês excepcional.
Depois, defina a margem de lucro desejada. Ela não deve ser o que sobrar no fim. Precisa ser uma meta clara, compatível com o mercado e com a necessidade de investimento da empresa. Às vezes, o cálculo mostra que o preço necessário está acima do que o cliente aceita. Nesse caso, não basta baixar o preço. É hora de negociar compra, reduzir desperdícios, ajustar o produto, rever condições de pagamento ou buscar mais eficiência.
Quer parar de depender de planilhas confusas? Organize custos, despesas, impostos e margem em um só processo. A gestão de precificação ajuda você a enxergar o preço de venda ideal e a simular cenários antes de tomar decisões.
Uma profissional de manutenção cobra R$ 250 por atendimento. Ela calcula R$ 70 de material e acredita que tem R$ 180 de margem. Só que cada serviço também envolve R$ 20 de deslocamento, R$ 12 de taxa de cartão, R$ 15 de impostos, R$ 18 de materiais de apoio e R$ 45 como parcela das despesas fixas mensais.
A conta correta é R$ 250 menos R$ 70, R$ 20, R$ 12, R$ 15, R$ 18 e R$ 45. Sobram R$ 70 antes de avaliar se esse valor atende ao lucro desejado e ao tempo de trabalho. Se o atendimento dura várias horas, R$ 70 pode ser pouco para manter a operação e remunerar a profissional.
Esse tipo de clareza evita dois extremos: cobrar tão barato que o negócio perde força e cobrar sem critério, afastando clientes. Lucro certo vem de números bem organizados, não de adivinhação.
Preço não deve ser definido uma vez e esquecido. Fornecedor reajusta, taxas mudam, impostos variam, combustível sobe e despesas fixas aumentam. Revise sua estrutura sempre que houver mudança relevante e, no mínimo, em períodos regulares.
Também vale analisar produtos e serviços separadamente. Um item pode vender bastante e ainda assim entregar margem baixa. Outro pode vender menos, mas contribuir muito para cobrir as despesas da empresa. Essa visão ajuda a decidir o que promover, o que reajustar e o que talvez não faça mais sentido manter no catálogo.
Para calcular com precisão, acompanhar o ponto de equilíbrio e proteger sua margem, conheça a solução de gestão do Preço Forte. O plano anual está de R$ 300 por R$ 180, com 40% de desconto. É uma forma prática de trazer controle para as decisões que mais impactam seu caixa.
Sim, mas não necessariamente de forma direta e igual. Custos variáveis podem ser associados à venda específica. Já despesas fixas precisam ser distribuídas conforme a estratégia do negócio, o volume esperado e a margem de contribuição. O ponto é que nenhuma despesa pode ficar fora da análise.
Pode haver estratégias diferentes de pagamento, desde que sejam claras para o cliente e façam sentido para a operação. Muitas empresas preferem oferecer desconto no Pix em vez de aumentar o preço do cartão. O melhor formato depende das taxas, do perfil de compra e da sua margem.
Se as vendas crescem, mas o caixa continua sem fôlego, esse é um alerta. Outro sinal é não conseguir pagar despesas, pró-labore e impostos sem recorrer a empréstimos ou dinheiro pessoal. Calcular a margem de contribuição e o ponto de equilíbrio mostra a situação com objetividade.
Depende. Reduzir preço pode atrair volume, mas só funciona se cada venda continuar contribuindo para os custos e o lucro. Antes de dar desconto, simule o impacto. Uma decisão bem calculada protege sua empresa hoje e dá base para crescer amanhã.
Fonte: https://app.trysoro.com
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