Você compra um produto por R$ 30, decide vender por R$ 60 "porque dobrou" — e no fim do mês descobre que o caixa está magro mesmo com as vendas indo bem. Se isso já aconteceu com você, este artigo é seu.
A precificação para revenda é uma das contas mais simples e ao mesmo tempo mais traiçoeiras do varejo. Simples porque envolve apenas três variáveis principais. Traiçoeira porque a maioria dos pequenos comerciantes usa atalhos que parecem certos mas escondem custos invisíveis. Ao final dessa leitura, você vai saber exatamente como definir o preço de revenda de qualquer produto sem chutar e sem se enganar.
Preço de revenda é o valor que você cobra do consumidor final por um produto que você comprou pronto de um fornecedor. A regra popular do "dobra o custo" — comprar por R$ 30 e vender por R$ 60 — funciona em alguns segmentos por pura coincidência. Em outros, leva direto à falência.
O motivo é simples: o preço de venda precisa cobrir três coisas, não duas:
1. O custo do produto (o que você pagou ao fornecedor).
2. As deduções da venda (impostos, taxas de cartão, comissão, frete embutido).
3. Sua margem de lucro (o que efetivamente sobra para pagar despesas fixas e remunerar você).
Quando você "dobra o custo", está aplicando markup de 100%. Mas markup de 100% sobre o custo NÃO é margem de lucro de 50%. Esse é o erro que mais derruba comerciante. Vamos ao número.
Exemplo: você compra uma camiseta por R$ 30 e vende por R$ 60.
• Markup: 100% (você multiplicou o custo por 2).
• Margem bruta: 50% (de cada R$ 60 vendidos, R$ 30 sobram antes de impostos e despesas).
Agora desconte 6% do Simples Nacional (R$ 3,60), 3% de taxa de cartão (R$ 1,80) e R$ 5 de custo médio de embalagem e frete. Sobrou R$ 19,60 — uma margem real de 32,7% sobre a venda. Se você ainda paga aluguel, energia, salário, contador, internet... essa margem pode virar zero rapidamente.
Lição: dobrar o custo não te dá 50% de lucro. Te dá uma ilusão de 50% que, na prática, vira 25-30% antes de despesas fixas, e pode virar zero (ou prejuízo) depois delas.
Existem três métodos consagrados para precificar produtos para revenda. Use o que fizer mais sentido para o seu negócio.
Método 1 — Margem desejada sobre a venda
Você define quanto quer ganhar de cada venda em percentual sobre o preço final. É o método mais usado e mais transparente. A fórmula é:
Preço de venda = Custo ÷ (1 - (Margem desejada% + Impostos% + Taxas%))
Exemplo: custo R$ 30, margem desejada 30%, impostos 6%, taxa de cartão 3%. Soma = 39%. Preço = 30 ÷ (1 - 0,39) = 30 ÷ 0,61 = R$ 49,18.
Método 2 — Valor absoluto que quer ganhar
Você define quanto quer ganhar em reais de cada produto, depois ajusta o preço para esse valor sair líquido. Útil para produtos de ticket alto, onde percentual confunde.
Quero ganhar R$ 25 líquidos por unidade. Custo R$ 30. Impostos + taxas = 9%. Preço = (30 + 25) ÷ (1 - 0,09) = 55 ÷ 0,91 = R$ 60,44.
Método 3 — Comparação com a concorrência
Você pesquisa o preço de até 3 concorrentes diretos e posiciona o seu — abaixo, igual ou acima, dependendo da estratégia. O risco aqui é seguir o concorrente sem saber se ELE está dando lucro. Use esse método para validar o preço calculado pelos métodos 1 ou 2, não como ponto de partida.
• Impostos do regime tributário (Simples Nacional varia de 4% a 19% dependendo do anexo e faturamento; quem não calcula isso sangra silenciosamente).
• Taxa de cartão (débito ~1,5%, crédito à vista ~3%, crédito parcelado pode chegar a 4-5% por causa da antecipação).
• Frete e embalagem (se você embute na venda, precisa estar no cálculo; se cobra separado, precisa estar claro pro cliente).
• Comissão de vendedor (se houver).
• Desperdício e perdas (quebra, devolução, validade vencida — em produtos perecíveis isso é crítico).
4. Olhar só o preço da concorrência. Você não sabe se ele está lucrando ou afundando.
5. Esquecer impostos no cálculo. Faturamento alto sem lucro é o sintoma clássico desse erro.
6. Dar desconto sem calcular. Um desconto de 10% pode comer 30% da sua margem. Antes de dar desconto, calcule.
7. Não separar lucro de capital de giro. O dinheiro que sobra no caixa não é tudo seu — parte precisa repor estoque.
8. Manter o mesmo preço por meses. Custo do fornecedor sobe, taxa de cartão muda, imposto muda. Revisar preços a cada 60-90 dias é higiene básica.
Calcular tudo isso na mão, com planilha, é viável para 5 ou 10 produtos. Para 50, 100, 500 produtos vira um martírio — e o erro humano se multiplica. O Preço Forte automatiza esse cálculo: você cadastra os produtos (um por um, importando uma planilha modelo, ou direto do XML da nota fiscal de compra), informa o regime tributário e a margem que quer ganhar, e a plataforma devolve o preço de venda ideal para cada item, com a memória de cálculo demonstrada graficamente.
Os três métodos descritos acima — margem desejada, valor absoluto ou comparação com concorrente — estão todos disponíveis. Você escolhe o que faz sentido para cada produto.
Calcule o preço dos seus produtos sem chute. Comece em precoforte.com/gestao
Aproveite para calcular seus preços e garantir o lucro que precisa!
Comece agora