Vender bastante e terminar o mês sem dinheiro em caixa é uma situação mais comum do que parece. Você olha as vendas, vê R$ 15.000 entrando e pensa que o negócio está indo bem. Mas, depois de pagar fornecedores, impostos, aluguel, taxas e contas, sobra pouco ou nada. É justamente aí que entra a pergunta: como saber se tenho lucro de verdade?
A resposta não está só no saldo da conta. Lucro é o valor que sobra depois que todas as despesas necessárias para vender e manter a operação funcionando foram pagas. Para enxergar isso com clareza, você precisa separar faturamento, custos, despesas, impostos e retiradas pessoais.
Faturamento é tudo o que a empresa vendeu em um período. Se uma loja vendeu R$ 20.000 em um mês, esse é o faturamento bruto. Parece um número ótimo, mas ele ainda não mostra se houve ganho.
Imagine que, para alcançar esses R$ 20.000, a loja gastou R$ 8.000 para comprar mercadorias, pagou R$ 1.200 em impostos, R$ 1.500 em aluguel, R$ 900 em salários e encargos, R$ 600 em taxas de cartão, R$ 400 em energia e internet e R$ 500 em divulgação. O total de custos e despesas foi R$ 13.100.
Nesse caso, o lucro foi de R$ 6.900:
R$ 20.000 de faturamento - R$ 13.100 de gastos = R$ 6.900 de lucro
Esse cálculo parece simples, mas só funciona quando todos os números entram na conta. O erro mais perigoso é considerar apenas o custo do produto e esquecer despesas que também consomem o resultado.
Para descobrir se uma venda é lucrativa, comece identificando quanto ela realmente deixa para a empresa. O caminho é organizar quatro grupos de valores: custos variáveis, impostos, despesas fixas e retiradas.
São gastos que aumentam quando você vende mais. Em um comércio, entram o custo de compra da mercadoria, frete de aquisição, embalagem, comissão, taxa de cartão e desconto concedido ao cliente. Em serviços, podem entrar materiais, deslocamento, comissão e contratação de terceiros.
Uma manicure que cobra R$ 80 por atendimento, por exemplo, não pode considerar os R$ 80 como ganho. Se ela gasta R$ 12 em produtos, R$ 4 com taxa de pagamento e R$ 3 com deslocamento, já existem R$ 19 de custos variáveis antes mesmo de olhar as demais despesas.
Muitos empreendedores calculam o preço pelo custo do item e pela margem desejada, mas esquecem que uma parte da venda vai para impostos. Dependendo do regime tributário e da atividade, esse impacto pode mudar bastante.
Se você vende um produto por R$ 100 e tem uma carga tributária de 6%, R$ 6 não pertencem à empresa. Se ainda houver 4% de taxa de cartão, outros R$ 4 também saem da venda. Antes de pagar o produto, já restam R$ 90.
Aluguel, pró-labore, salário, contador, sistema, telefone, energia, internet e divulgação não desaparecem quando não há venda. Essas são despesas fixas ou semi-fixas e precisam ser cobertas pela margem gerada nas vendas.
Esse ponto explica por que uma empresa pode vender com margem em cada item e, mesmo assim, fechar o mês no prejuízo. Cada venda ajuda a pagar as despesas da operação, mas talvez não ajude o suficiente.
Se você usa a conta da empresa para pagar despesas pessoais, fica muito mais difícil saber o resultado real. A retirada do dono deve ser planejada e registrada como pró-labore ou distribuição de lucro, conforme a orientação contábil da empresa.
Quando gastos pessoais se misturam ao caixa, o negócio pode parecer rentável no papel e, ao mesmo tempo, ficar sem recursos para comprar estoque, pagar impostos ou honrar compromissos.
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A margem de contribuição mostra quanto sobra da venda depois de descontar custos variáveis e impostos. Esse valor serve para pagar as despesas fixas e, depois que elas são cobertas, gerar lucro.
Veja um exemplo. Você vende uma peça por R$ 150. O custo de compra é R$ 60, os impostos representam R$ 9, a taxa de cartão é R$ 6 e a embalagem custa R$ 3.
A conta fica assim:
R$ 150 - R$ 60 - R$ 9 - R$ 6 - R$ 3 = R$ 72 de margem de contribuição
Esses R$ 72 não são lucro imediato. Eles ainda precisam ajudar a pagar aluguel, equipe, ferramentas, contador e outras despesas fixas. Só o que passar dessa necessidade mensal será lucro líquido.
Por isso, dar desconto sem calcular o impacto pode virar um problema. Se você reduz o preço para R$ 130, mas seus custos variáveis continuam praticamente iguais, a margem cai. Talvez a venda ainda aconteça, porém ela passa a contribuir muito menos para manter a empresa saudável.
O ponto de equilíbrio é o faturamento mínimo que a empresa precisa atingir para pagar todos os custos e despesas, sem lucro e sem prejuízo. Conhecer esse número tira a operação do achismo.
Suponha que suas despesas fixas mensais sejam R$ 8.000 e que sua margem de contribuição média seja 40%. Para cobrir R$ 8.000, você precisa faturar R$ 20.000 no mês.
A lógica é esta:
R$ 8.000 ÷ 40% = R$ 20.000
Até R$ 20.000, sua empresa está pagando as contas. A partir daí, uma parte da margem pode virar lucro. Se faturar R$ 25.000 mantendo a mesma margem, haverá R$ 10.000 de margem de contribuição. Depois de pagar os R$ 8.000 de despesas fixas, o lucro será de R$ 2.000.
Esse cálculo varia quando você vende produtos ou serviços com margens diferentes. Uma empresa pode ter um item que vende muito, mas deixa pouco, e outro que vende menos, mas sustenta boa parte do resultado. Por isso, olhar apenas o faturamento total nem sempre basta.
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Alguns comportamentos indicam que a empresa precisa revisar seus números. Você vende bem, mas precisa atrasar fornecedor. O estoque gira, mas falta dinheiro para impostos. Você trabalha mais, aumenta o faturamento e não consegue aumentar a retirada. Ou então precisa fazer promoções frequentes sem saber se elas ainda deixam margem.
Nenhum desses sinais prova sozinho que há prejuízo. Pode haver descasamento entre prazo de recebimento e pagamento, por exemplo. Mas todos merecem atenção. Caixa e lucro são relacionados, porém não são iguais. Uma venda parcelada pode gerar lucro, mas o dinheiro chegará aos poucos. Já uma empresa pode ter dinheiro em conta porque recebeu uma entrada alta, mesmo tendo vendido com margem insuficiente.
Você não precisa esperar o fim do ano para descobrir se trabalhou no vermelho. Uma revisão mensal já muda muito a qualidade das decisões. Feche o faturamento do período, some custos variáveis, confira impostos, registre despesas fixas e compare o resultado com o mês anterior.
Também vale acompanhar quais produtos e serviços entregam melhor margem. Nem sempre o campeão de vendas é o campeão de lucro. Às vezes, reajustar R$ 5 em um item mal precificado ou reduzir uma taxa esquecida melhora mais o resultado do que correr atrás de dezenas de vendas extras.
O preço de venda ideal precisa cobrir todos os gastos, respeitar o mercado e deixar a margem que sustenta o negócio. Se o mercado não aceita esse preço, a saída não é vender no prejuízo. Pode ser necessário negociar compra, ajustar o serviço, diminuir desperdícios, reposicionar a oferta ou rever o mix de produtos.
Subtraia do faturamento todos os custos, impostos, taxas, despesas fixas e despesas operacionais do período. Se o resultado for positivo, houve lucro. Se for negativo, houve prejuízo. Faça a análise com registros reais, não com estimativas soltas.
Não necessariamente. O caixa pode incluir valores que ainda serão usados para pagar fornecedores, impostos, folha ou parcelas. Lucro é resultado financeiro calculado; caixa é dinheiro disponível em determinado momento.
Depende da sua estrutura de custos, do imposto, da concorrência, da demanda e da margem necessária para pagar as despesas fixas. Não existe um percentual mágico que sirva para todos. O melhor caminho é calcular cada cenário antes de definir ou alterar o preço.
Comece registrando todas as entradas e saídas e separando gastos pessoais da empresa. Depois, use uma ferramenta que transforme esses dados em preço, margem e ponto de equilíbrio. Conheça a gestão da Preço Forte e aproveite o plano anual de R$ 300 por R$ 180, com 40% de desconto. Lucro certo começa quando você troca suposição por números que mostram o próximo passo.
Fonte: https://app.trysoro.com
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